Com apenas duas escolas estaduais principais, cidade de quase 90 mil habitantes enfrenta gargalo no 1º ano; diretora cita possibilidade de vagas em escola rural
Canaã dos Carajás, PA – O início do ano letivo de 2026 em Canaã dos Carajás (PA) começou com filas e frustração na Escola Estadual João Nelson dos Prazeres Henrique. Pais e adolescentes relataram, nesta quarta-feira (21), que a unidade não dispõe de vagas suficientes para o turno diurno, especialmente no 1º ano do ensino médio, obrigando muitos a considerar o período noturno ou buscar alternativas judiciais.
De acordo com relatos coletados no local, pais chegaram à escola a partir da 1h da madrugada para tentar matricular filhos que concluíram o ensino fundamental ou migraram de outros municípios e estados. A diretora Fernanda Oliveira confirmou que o quantitativo de turmas e vagas por sala já está esgotado na João Nelson, uma das duas principais escolas estaduais de ensino médio da cidade – a outra é a Escola Irmã Laura, que enfrenta situação semelhante.
“Todo mundo sabe que só tem duas escolas do ensino médio. A Escola João Nelson é muito procurada porque fica no centro, e as vagas ficam limitadas”, explicou a diretora. Ela mencionou a existência de uma terceira opção: a Escola Estadual Rural de Canaã dos Carajás, localizada em áreas rurais como a Vila Jussara, com possibilidade de vagas no turno da manhã para o 1º ano, dependendo da demanda e da logística de transporte e professores.
Pais expressaram preocupação especial com a oferta exclusiva de vagas noturnas para adolescentes de 14 a 16 anos. Bruno, pai de um jovem de 16 anos, disse que pretende recorrer ao Conselho Tutelar e ao Ministério Público. “Eu não posso deixar meu filho sem estudar no início do ano letivo”, afirmou.
A mãe Cristiane, que busca vaga para a filha Samira de 16 anos, relatou ter encontrado placa informando ausência de vagas nos turnos manhã e tarde. “Fica preocupante colocar uma criança de 16 anos para estudar à noite, sem saber a segurança e a estrutura”, comentou.
No Conselho Tutelar, as conselheiras Maria do Macarrão e Ney Lívia orientaram os pais a registrarem ocorrência para encaminhamento ao Ministério Público do Pará (MPPA). “É um direito fundamental à educação. Quando o Estado não oferta vagas, acionamos o MP para cobrar providências”, explicou Maria. O colegiado planeja reunião para discutir o tema, incluindo a permanência dos alunos no município em vez de deslocamento para escolas rurais.
A cidade, que saltou de cerca de 18 mil habitantes há duas décadas para estimados 89.524 em 2025 (IBGE), registra crescimento populacional acelerado devido à mineração, mas a infraestrutura educacional estadual não acompanhou na mesma proporção. Há 31 anos, o município conta basicamente com as mesmas duas escolas estaduais para o ensino médio.
A Secretaria de Estado de Educação do Pará (Seduc) não se pronunciou imediatamente sobre o caso específico de Canaã dos Carajás, mas o processo de matrículas e rematrículas na rede estadual segue cronograma oficial iniciado em dezembro de 2025.
A situação reforça demandas recorrentes por novas unidades estaduais e melhor articulação entre município e Estado para atender a demanda crescente.






