Canaã dos Carajás (PA) – Uma área rural próxima ao complexo minerário S11D, da Vale, no sudeste do Pará, registra tensão desde o início de janeiro de 2026 devido a uma ocupação de terras. O produtor rural conhecido como Sr. Ribas, proprietário da fazenda há 12 anos (desde 2013), relatou à reportagem local que um grupo inicialmente pequeno (entre 6 e 13 pessoas) ocupou a propriedade por volta das 5h30 da manhã de ontem (11/01), crescendo rapidamente em número.
Segundo o relato do Sr. Ribas, os ocupantes danificaram sua produção: cortaram milho e feijão com facas, quebraram plantações e impediram o acesso aos recursos. Ele afirma ter tentado diálogo, mas sem sucesso, e que foi surpreendido pela ação. O agricultor mencionou que já buscou seus direitos judiciais e policiais, aguardando uma decisão do tribunal para reintegração de posse ou resolução do conflito. Não há data confirmada para o julgamento.
Proposta de acordo rejeitada O Sr. Ribas contou que foi procurado por uma liderança do grupo, que propôs dividir a terra: metade para os ocupantes e metade para ele permanecer. Ele recusou veementemente: “Eu não tenho acordo nenhum. A terra é minha, planto milho, feijão e arroz. Não aceito divisão. Não há fundamento para isso.”
Ele reforçou que mora e trabalha na propriedade, apesar de uma suspensão temporária por negociações passadas não terem dado certo, e que retomou o cultivo recentemente.
Contexto histórico de conflitos fundiários na região Canaã dos Carajás é marcada por disputas agrárias intensas desde a expansão da mineração na década de 2010, especialmente com o Projeto S11D da Vale (maior mina de ferro a céu aberto do mundo, inaugurada em 2016). A região tem histórico de ocupações por movimentos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) e outros grupos em áreas consideradas públicas ou irregulares pela CPT (Comissão Pastoral da Terra) e MPF.
Relatos antigos (2016–2024) mostram ocupações em fazendas próximas ao S11D, com acusações mútuas de grilagem e pressão para assentamentos. A Vale já enfrentou ações judiciais por compras de terras em projetos de assentamento, mas não há confirmação oficial de que a propriedade do Sr. Ribas esteja ligada diretamente à mineradora ou a assentamentos federais.
Até o momento (12/01/2026, 13h), buscas em portais oficiais (Prefeitura de Canaã, TJPA, MPPA, Incra) e redes sociais não revelaram boletins de ocorrência públicos, decisões judiciais recentes ou notas de movimentos sociais sobre esse caso específico. A ocorrência parece recente e ainda em fase inicial, sem repercussão ampla na imprensa regional (como Portal Canaã, Gazeta Carajás ou Jornal Canaã).
O que diz a lei No Brasil, ocupações de terras privadas podem configurar esbulho possessório, sujeito a reintegração de posse (art. 926 do CPC). Se houver pedido de reforma agrária ou desapropriação, o Incra e a Justiça Federal analisam produtividade e função social da propriedade (art. 184–186 da Constituição). Danos à lavoura podem gerar ação por perdas e danos.
A Prefeitura de Canaã dos Carajás e a PM foram acionadas, mas não há posicionamento oficial divulgado. A reportagem acompanha o caso para atualizações.






