Paciente com histórico de cardiopatia, hipertensão, anemia crônica, hérnia de disco e complicações cardíacas não resistiu na noite de 9 de abril enquanto aguardava leito em hospital de maior complexidade; filha Gislaine denuncia lentidão e descaso da saúde pública no Pará.
A morte de Elieci Mota dos Santos, na noite de quinta-feira, 9 de abril, no Hospital de Água Azul do Norte, expõe de forma dramática as consequências letais da demora na regulação de leitos na rede pública de saúde do Pará.
Elieci era cardiopata, sofria de hipertensão arterial, anemia crônica, hérnia de disco e apresentava graves problemas no coração. Internada em estado crítico, os médicos indicaram transferência urgente para uma unidade hospitalar de maior complexidade, com recursos especializados capazes de estabilizar seu quadro delicado. A transferência, porém, nunca aconteceu.
A filha Gislaine Mota dos Santos acompanhou a mãe durante toda a internação e viveu momentos de angústia profunda. A família chegou a recorrer à imprensa e à comunidade, pedindo visibilidade para sensibilizar as autoridades da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) e gestores locais. O apelo foi feito com urgência, mas o tempo esgotou-se sem resposta efetiva.
Casos como o de Elieci revelam um padrão preocupante na região sudeste do Pará, especialmente nos municípios do arco dos Carajás. Hospitais municipais como o de Água Azul do Norte possuem limitações para tratar pacientes de alta complexidade, dependendo de vagas em unidades regionais ou estaduais. A burocracia na Central de Regulação de Leitos e a insuficiência de leitos de UTI e cardiologia transformam a espera em risco real de morte.
Enquanto famílias desesperadas usam rádio, redes sociais e veículos de comunicação como último recurso, a lentidão do sistema público continua cobrando um preço altíssimo em vidas humanas. A cardiopatia associada à hipertensão e à anemia crônica exige atendimento rápido e especializado — algo que, mais uma vez, não foi garantido.
Gislaine e toda a família agora enfrentam o luto agravado pela indignação. Para eles, a tragédia poderia ter sido evitada com maior agilidade e responsabilidade por parte das autoridades de saúde.
A redação tentou contato com a direção do Hospital de Água Azul do Norte e com a Sespa em busca de posicionamento oficial sobre o caso e sobre as medidas adotadas para evitar novas ocorrências semelhantes, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. Qualquer atualização será publicada imediatamente.
Esta morte não é um caso isolado. É mais um alerta sobre as falhas estruturais da saúde pública no interior do Pará, onde o direito constitucional à vida e à saúde muitas vezes se perde entre filas, distâncias e falta de vagas.






