Evento reúne mais de 60 instituições, poder público, empresas e academia para discutir competitividade, responsabilidade e planejamento territorial no principal polo mineral do Pará
Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, recebeu nesta quarta e quinta-feira (5 e 6 de agosto) a quinta edição do Congresso Técnico do Simineral, um dos principais fóruns de discussão técnica sobre mineração no Brasil. Com o tema “Mineração e Amazônia: competitividade, responsabilidade e legado”, o evento reúne lideranças empresariais, autoridades, representantes da sociedade civil, academia e imprensa para debater o papel do setor no desenvolvimento regional e o planejamento para o período pós-mineração.
O presidente executivo do Simineral, Emerson Rocha, destacou a relevância da realização do congresso no território. “É uma grande alegria para o Simineral estar realizando a 5ª edição do nosso Congresso Técnico, que hoje é um dos maiores eventos de discussão técnica em mineração do Brasil. E realizar ele em Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, que é uma das regiões mais fortes e mais ricas de mineração do nosso país, é um grande orgulho”, afirmou. Segundo ele, a edição conta com mais de 60 instituições inscritas e busca conectar e simplificar a linguagem da mineração para a sociedade, com o objetivo de entregar resultados concretos no território.
A prefeita de Canaã dos Carajás, Josemira Gadelha, reforçou a importância do município como sede. Ela lembrou que a cidade utiliza recursos da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) para impulsionar o desenvolvimento local e que a realização do congresso contribui para o turismo e a economia. Sobre a eventual criação de uma Secretaria de Mineração, a prefeita afirmou que o planejamento já é feito de forma integrada pelas secretarias de Planejamento, Governo e demais órgãos municipais.

A secretária de Planejamento de Canaã dos Carajás, Bárbara Andrade, destacou que a presença do Simineral e das empresas mineradoras, especialmente a Vale, permite tratar de forma prioritária o pós-mineração. “Nós planejamos uma cidade para o futuro, mas hoje, enquanto ainda há exploração e arrecadação de CFEM, esse planejamento precisa ser bem feito. Não se pode deixar para planejar quando a produção diminuir”, disse. Ela reconheceu que a compensação financeira atual não cobre todos os impactos, mas defendeu seu uso responsável para preparar a cidade para o futuro.

A vice-presidente do Conselho Diretor do Simineral e diretora da Vale, Ana Carolina Alves, explicou que a escolha de Canaã dos Carajás para sediar o congresso tem como objetivo debater, no próprio território, como a mineração vai além da operação diária. “A ideia é trazer poder público, setor privado e entidades de classe para debater o futuro da mineração, o planejamento e como empresas e municípios podem se organizar para o pós-mineração. Os municípios precisam pensar em uma terceira via de desenvolvimento”, afirmou. Segundo ela, a questão do legado exige ações conjuntas do setor e do poder público, e não iniciativas isoladas.

O diretor-presidente do SENAI e superintendente do SESI, Dr. Dário Lemo, ressaltou a importância da mineração como indutora da economia de Canaã dos Carajás, de Parauapebas e do Pará. Ele destacou a parceria histórica do SENAI e do SESI com a Vale no estado e anunciou a construção de uma escola de referência do SESI e SENAI no município, com previsão de início das atividades em 2028. A estrutura atenderá não apenas a Vale, mas outras indústrias e a comunidade em geral.
O congresso aborda temas como desenvolvimento regional, minerais críticos e estratégicos, transição energética, licenciamento ambiental, segurança jurídica, competitividade, governança e os avanços da Carta Santarém. A realização em Canaã dos Carajás reforça o protagonismo do município, que concentra projetos de relevância internacional e contribui significativamente para a produção mineral brasileira.
Ao reunir diferentes atores em torno de uma agenda comum, a quinta edição do Congresso Técnico do Simineral busca fortalecer o diálogo entre setor produtivo, poder público e sociedade, com foco na construção de um legado sustentável para os territórios mineradores da Amazônia.





