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Moradora de Canaã dos Carajás vive há uma semana sem água e denuncia atendimento automatizado da concessionária

Professora Dayane Almeida, do bairro Jardim América, relata dificuldades diárias para higiene, alimentação e limpeza; situação atinge outras residências da região, segundo moradores

Moradores do bairro Jardim América, em Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, enfrentam falta de água potável há pelo menos uma semana. O relato é de Dayane Almeida, professora da rede pública há 11 anos, que vive na rua Liginho Rosa, esquina com a rua Isaías, com o filho de 6 anos.

Segundo ela, a água simplesmente não chega. O hidrômetro da residência não registra movimento. A caixa d’água instalada no telhado permanece vazia. Roupas acumuladas no tanquinho começam a apodrecer. O banheiro apresenta mau cheiro pela impossibilidade de dar descarga. A casa fica suja, o que a impede de receber visitas.

“Quando chega você tem que mandar mensagem para um e outro colega perguntando se tem água na casa deles para poder ir tomar banho”, conta a professora. Ela e o filho precisam se deslocar para residências de amigos ou para a escola onde trabalha. A alimentação também foi afetada: sem água, não é possível cozinhar em casa. A família compra comida pronta ou come em restaurantes.

Dayane afirma que a situação não é isolada. Em grupos de WhatsApp do bairro, outros moradores registram reclamações semelhantes diariamente. “É o bairro inteiro”, diz. “A gente só está cobrando algo que a gente paga para ter. Ninguém vive sem água.”

Quando liga para a Águas do Pará, concessionária responsável pelo abastecimento no município desde janeiro de 2026, o atendimento é feito por mensagem gravada ou sistema automatizado. A resposta padrão informa que houve manutenção emergencial na região, que o serviço já foi concluído e que o abastecimento será normalizado de forma gradativa. A orientação inclui deixar os registros abertos para que a água, quando chegar, suba para a caixa. Segundo a moradora, isso não ocorre: quando há alguma vazão, ela é tão fraca que não consegue encher o reservatório.

Apesar da ausência do serviço, a cobrança continua no mesmo valor, ou com pequeno reajuste, no final do mês. “Tu passa dez dias sem água, chega no final do mês, é o mesmo valor da água”, afirma Dayane.

A concessionária Águas do Pará, que assumiu a operação em Canaã dos Carajás no início de 2026 após a concessão estadual, tem informado publicamente sobre ações de modernização, incluindo automação de reservatórios, instalação de sensores, telemetria e perfuração de novos poços em áreas consideradas críticas, como Via Oeste e Jardim Europa. A empresa afirma que essas intervenções devem beneficiar bairros como Jardim América, Parakanã e Park Carajás. Em notas anteriores, a companhia também orientou a população a reservar água em períodos de manutenção e disponibilizou o telefone 0800 091 0091 e o aplicativo Águas App para atendimento.

Moradores, no entanto, relatam que as interrupções se repetem e que o atendimento automatizado não resolve o problema concreto. Dayane diz que já registrou reclamações na ouvidoria diversas vezes e sempre recebe a mesma mensagem.

A professora e outros moradores cobram providências das autoridades locais e estaduais. Ela menciona debates nas redes sociais em que candidatos ao governo do Pará defenderam a revisão da concessão. Também pede que vereadores de Canaã dos Carajás atuem sobre a questão.

A falta de água potável em Canaã dos Carajás não é nova. Desde a transição do antigo Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) para a concessionária, relatos de baixa pressão, rodízios e interrupções têm sido registrados em diferentes bairros, inclusive em períodos chuvosos. A empresa mantém que está investindo na ampliação da capacidade do sistema para atender a demanda crescente da cidade.

Enquanto a normalização não chega de forma efetiva, famílias como a de Dayane Almeida continuam improvisando soluções diárias para necessidades básicas que dependem de água.

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