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Moradores do Nique Vermelho, em Canaã dos Carajás, cobram asfalto, água e energia

Comunidade de cerca de 4 mil famílias, próxima à Serra Dourada, relata poeira no verão, lama no inverno e promessas não cumpridas de pavimentação, enquanto o município completa 31 anos e registra forte crescimento populacional

Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, completou 31 anos de emancipação política em 2025 e segue em ritmo acelerado de expansão. A população estimada pelo IBGE para 2025 chegou a 89.524 habitantes, consolidando o município como um dos que mais cresceram no país nas últimas décadas, impulsionado pela mineração.

Nesse cenário de avanço, moradores da região do Nique Vermelho, na área conhecida como “região do 40”, próxima à Serra Dourada, reivindicam infraestrutura básica. Segundo relatos locais, cerca de 4 mil famílias vivem no local, onde residem, cultivam e trabalham, mas enfrentam dificuldades diárias com vias de terra, falta de água potável adequada e problemas de energia.

O morador Juliano, que se identificou como representante da comunidade, criticou a ausência de atenção dos órgãos públicos. “No verão a gente sofre com poeira, a gente tem criança, a gente tem pessoas que trafegam nessas ruas. No inverno é lama. Prometeram para a gente esse asfalto ali da Buriti, do eucalipto, tem tempo, já foi assinado, já foi mandado. Eu não sei o que foi que houve. Esse asfalto nunca chegou”, afirmou.

Ele destacou que ônibus escolares e de empresas transitam pelas vias precárias e que a população já convive há anos com a situação. “Canaã dos Carajás é uma maravilha, é tudo muito bonito lá para dentro, mas a gente anda ao redor, especialmente aqui na região do Nique Vermelho, e vê o sofrer do pessoal. A gente vem lutando até com energia, com água, cavando o poço manual. A prefeitura nunca olhou para a gente aqui. O pessoal só vem em época de campanha.”

A comunidade pede asfaltamento das vias principais, poço artesiano (relatando que a água aparece a 13 metros de profundidade), melhoria na energia elétrica e saneamento básico. Segundo os moradores, postes de energia já começaram a ser instalados, mas a solução definitiva ainda não chegou.

A região é apontada como área de tendência de crescimento da cidade. Quem acompanhou a reportagem reforçou a necessidade de atenção dos poderes públicos: “A tendência de Canaã é crescer para cá. É preciso resolver o problema da energia, da água e do asfaltamento de uma avenida principal, porque foi prometido em campanha. Então isso tem que ser feito.”

Canaã dos Carajás tem investido em pavimentação rural nos últimos anos. A prefeitura informa a execução de cerca de 200 km de vicinais no programa “Asfalto no Campo”, além da substituição de pontes de madeira por estruturas metálicas. Outras obras de asfaltamento em vias rurais seguem em andamento ou em processo de licitação. A situação específica do Nique Vermelho, no entanto, permanece como demanda aberta da comunidade.

A emancipação do município ocorreu em 5 de outubro de 1994, quando a área do antigo CEDERE II foi desmembrada de Parauapebas. As comemorações dos 31 anos, em outubro de 2025, incluíram distribuição de bolos em diversos bairros e vilas e o anúncio de pacotes de obras.

Os moradores do Nique Vermelho afirmam que continuarão cobrando melhorias. A expectativa é que o poder público visite a região, dialogie com a comunidade e apresente cronograma para as obras reivindicadas.

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